Vereadores visitam produtores orgânicos para avaliar danos nas plantações

Vereadores visitam produtores orgânicos para avaliar danos nas plantações

Os vereadores Leonardo Vieira (PDT), representando o presidente da Câmara, e Mateus Marcon (PT), 1º secretário da Casa, em atendimento a denúncia encaminhada ao legislativo, por produtores de orgânicos do município, estiveram no Assentamento Santa Rita de Cássia 2, no dia 23 de novembro. O objetivo da visita foi o de avaliar os prejuízos causados por uma pulverização realizada sobre a região, onde vivem aproximadamente 20 famílias. No ofício, os assentados, também pedem que seja criado um projeto de Lei para a regulamentação da atividade de aplicação dos defensivos agrícolas, para que isto não impacte na manutenção dos selos de produtos orgânicos das plantações locais.

A primeira parada dos representantes da Câmara Municipal, aconteceu na propriedade de Adir Bourscheid, que relatou a perda de boa parte da sua produção semanal de mudas, que deveriam ter sido distribuídas para clientes de diversas partes do Estado.

“Os produtores orgânicos são os alicerces das feiras. Eu mesmo atendo clientes em Farroupilha, Antônio Prado, Viamão, Morrinhos do Sul, além do Lami e da banca que possuo na Feira da Redenção em Porto Alegre, onde comercializo, mudas de legumes, chás e flores, que das comestíveis morreram quase todos os pés”, relata o agricultor.

A situação segundo Bourscheid é recorrente: “ano passado perdi mais de 2 mil plantas e agora vejo se repetir uma situação bem parecida com a que aconteceu em 2017, quando a certificadora quis excluir nosso registro. Agora ela fala em fazer uma readequação, mas se isto acontecer serão 3 anos no gelo!”

Preocupado com a situação, o Vereador Leonardo, sugeriu a criação de uma Tribuna Popular: “Entendo que os produtores não desejam o prejuízo de ninguém, mas também não querem o próprio prejuízo”.

José Carlos Almeida é outro exemplo de produtor afetado com a pulverização, cujos voos, segundo relato dos moradores, aconteceram na região, entre os dias 9 e 11 de novembro. “Aqui, eu trabalho para atender os clientes com diversidade, prezando pela relação que tenho com eles, mas sem fugir dos princípios da agroecologia, onde variadas plantas crescem lado a lado, para existir um equilíbrio”, explica.  

Na propriedade de Augusto Eduino Olsson, os agrotóxicos lançados no ar, além de causarem a morte de plantas e o apodrecimento de frutas, fizeram com que, a família sofresse com enjoos e dores de cabeça, na mesma noite em que ocorreu o contato com o produto.

“Este era o ano em que os pés estavam mais sadios, chegávamos à colher de 3 a 4 quilos de tomates por dia, alface americana de 1,200kg. Espero que a Prefeitura investigue e encontre os culpados, assim como, realize um mapeamento do prejuízo de cada um de nós. Pois, para quem está de fora é fácil minimizar o problema, mas a gente não tem ideia de como vai ser daqui para frente”, desabafa Olsson.

Investigação do caso

As famílias atingidas registraram boletim de ocorrência junto a Polícia Civil que trabalha na investigação do caso, uma vez que o assentamento faz divisa com uma granja, onde é realizado o plantio de arroz convencional.

A Prefeitura Municipal de Nova Santa Rita, também recebeu a denúncia dos agricultores e vem trabalhando junto com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) para avaliar todas as circunstâncias do ocorrido.

Texto e imagens

Andréia Pires
Jornalista - MTB 17976/RS

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